Terra é atingida por explosão extrema no Sol
Para as próximas horas, são esperadas tempestades geomagnéticas com formação de auroras no norte do planeta
Representação artística o planeta Terra sendo atingido "de raspão" por um "supertiro" de plasma do Sol. Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini Conforme noticiado pelo Olhar Digital, o Sol foi tomado por intensa agitação no último domingo (1). Observações registraram 26 erupções solares em sequência, com destaque para um evento X8.1 – extremamente poderoso. E o material ejetado pela explosão, que estava previsto para atingir a Terra na quinta-feira (5), chegou um dia antes do esperado.
De acordo com a plataforma de meteorologia e climatologia espacial Spaceweather.com, o impacto se deu nesta quarta-feira (4), às 12h30 (horário de Brasília), acionando magnetômetros em todo o mundo. Na estação de monitoramento do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), no Colorado, a vibração foi de 16 nT — significativa, mas não o suficiente para causar uma grande tempestade geomagnética. Em vez disso, episódios de intensidade G1 a G2 são possíveis nas próximas horas – eventos considerados, respectivamente, leves e moderados em uma escala que vai até G5.

Vamos entender:
- O Sol tem um ciclo de 11 anos de atividade;
- Ele está atualmente no que os astrônomos chamam de Ciclo Solar 25;
- Esse número se refere aos ciclos que foram acompanhados de perto pelos cientistas;
- No auge dos ciclos solares, o astro tem uma série de manchas na superfície, que representam concentrações de energia;
- À medida que as linhas magnéticas se emaranham nas manchas solares, elas podem “estalar” e gerar rajadas de vento;
- De acordo com a NASA, essas rajadas são explosões massivas do Sol que disparam jatos de plasma e campos magnéticos (também chamados de “ejeção de massa coronal” – CME) e partículas carregadas de radiação para fora da estrela;
- As explosões são classificadas em um sistema de letras – A, B, C, M e X – com base na intensidade dos raios-X que elas liberam, com cada nível tendo 10 vezes a intensidade do anterior;
- A classe X denota os clarões de maior intensidade, enquanto o número fornece mais informações sobre sua força;
- Um X2 é duas vezes mais forte que um X1, um X3 é três vezes mais forte, e, assim, sucessivamente;
- Como o Sol dá uma volta em seu próprio eixo a cada 27 dias, as manchas solares desaparecem de vista por determinado período, voltando em seguida a ser visíveis para a Terra.
Embora a CME da explosão X8.1 não tenha sido lançada em direção à Terra, as previsões da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) indicavam que ela atingiria o planeta de “raspão”, o que é suficiente para perturbar o campo magnético terrestre devido à força extrema da explosão – a terceira maior já observada durante o Ciclo Solar 25 (que iniciou em dezembro de 2019).

Se o impacto provocar uma tempestade geomagnética G1, podem ocorrer flutuações fracas na rede elétrica e interferências mínimas nas operações de satélites, além da formação de auroras no extremo norte do globo. Já em um cenário G2, as consequências podem ser mais notáveis: sistemas elétricos em altas latitudes podem registrar alarmes de tensão, risco de danos a transformadores e satélites podem exigir correções de orientação devido a mudanças no arrasto. A propagação de rádio HF pode ser prejudicada, enquanto auroras se tornariam visíveis em latitudes mais baixas do planeta.
Não se descarta a possibilidade de o fenômeno ser ainda mais intenso, já que a mancha solar AR4366, onde ocorreu a erupção X8.1, estava em um surto de atividade, produzindo outras explosões em sequência, o que pode potencializar a interação do material solar com a atmosfera da Terra.
Nesta manhã, às 8h13, a mesma região ativa produziu mais uma erupção solar do tipo mais potente – desta vez, uma X4.2. O evento interrompeu brevemente as comunicações de rádio em partes da África Ocidental e do sul da Europa, enquanto uma intensa radiação inundava a atmosfera superior da Terra.

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